Devoção do Senhor Bom Jesus do BomfimSOLENE NOVENA

As festas das novenas  foram introduzidas, logo após a chegada das imagens de Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia à sua capela.
Eram realizadas, em principio, pela Páscoa, depois, em 1763  celebradas em fevereiro: em 1765 a 08 de abril; as de 1769 em 16 de Maio, e as de 1771 em 20 de setembro, demonstrando assim que as datas para a realização da Novena eram móveis, e que, só a partir de 1773, as festividades começaram a ser praticadas em janeiro, na segunda dominga da Epifania, o que vem acontecendo até os nossos dias, em decorrência de um Breve papal concedido por Pio VII, a pedido dos irmãos-mesários.

A Novena, como é cantada hoje, começou em 1839, conforme consta no “livro de despesas” da Capela, do tesoureiro Francisco José da Costa Abreu. Foi composta pelo grande musicista baiano, Damião Barbosa de Araújo, nascido em Itaparica no ano de 1778, falecido em 20/04/1856. Segundo consta nos anais da Devoção, Damião, exímio violinista, teve uma atuação primorosa, quando da chegada à Bahia de D. João VI, em 1808.

Hoje, a realização do novenário é mantida e, com grande sacrifício pereniza a tradição, representando o que há de mais belo na exortação musical ao nome do Senhor. A igreja artisticamente ornamentada recebe as autoridades eclesiásticas e civis, empresários, e gente dos diversos seguimentos da sociedade. Momento sagrado onde todo povo de Deus se reúne. A Orquestra e Coral do Bonfim sempre regidos por um maestro de reconhecido mérito, hoje sob a batuta do senhor Francisco Carlos Rufino, oferecem nessas noites, uma sublimação espiritual através das mais belas partituras de notáveis compositores da música sacra.
A Novena e a Missa festiva são de peculiar beleza músico-devocional. Por sua beleza sonora, repleta de unção, imponência dos acordes, manifestação expressiva do coral, execução primorosa da orquestra, e pela invocação de entremeios das vozes do povo, não existe similar composição no universo das obras sacras musicais.
A partir do meado do século XIX, as novenas têm sido concelebradas por três padres no altar, com sermão de pregadores de renome, orquestra e coro, e são realizadas à noite e, em latim. Os Irmãos Mesários, componentes do colegiado administrativo da Devoção, ostentando as suas opas cor de vinho, saem em procissão para o adro e voltam no sentido da porta principal, adentrando na nave em direção ao altar-mor, onde permanecem durante toda a celebração.
O bimbalhar dos sinos, o espocar dos fogos de artifício nos momentos aprazados, dão colorido especial ao evento sagrado.
Vale a pena assistir e, mais ainda, participar desse belo espetáculo de fé e unção religiosa.